domingo, 22 de dezembro de 2013

Água

Imagem: http://ultradownloads.com.br/
amar a pétala
e a ideia da pétala

guiar os rios
aguar os dedos
molhar teu nome

diluir-me

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A medida das chuvas II

Google - sem informação de autoria

folha, cântaro
tronco de baobá
tua mão em concha
um feixe de madrepérolas

: há que se recolher
a água das chuvas

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Nota III

Google - sem informação de autoria

"Os dias despencam
aos pedaços. Logo será janeiro."
Eucanaã Ferraz


cobrir-me de mesuras,
delicadezas.

dobrar o riso, as saias,
como quem dobrasse o tempo.

ser, entre seus dedos,
pássaro de papel.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Por Alejandra

Alejandra Pizarnik. Imagem: Google - sem informação de autoria

posso ouvi-la dizer:
- o amor é dos que se olham

do outro lado do rio
à altura de meus segredos
não são seus olhos

ele me olha
com seus silêncios 

domingo, 24 de novembro de 2013

Vertigem

Imagem: Daniela Delias


à minha boca 
pede raízes, arranha-céus

(cola em meu fôlego, 
ele diz, deita no meu peito)

como se toda leveza
pedisse janelas
como se tudo que move
sonhasse vertigens

como se toda poesia
fosse um corpo-pássaro

domingo, 17 de novembro de 2013

Varanda

Imagem: Daniela Delias

ele abre as janelas de par em par
quer um lugar ao frio
uma varanda de flores lentas

ela, flor qualquer que se erga
ao largo de seus desertos

domingo, 10 de novembro de 2013

Raízes

Google - sem informação de autoria

não mais que paredes de barro
e uma janela que filtrasse o sol

é preciso respirar pela raiz
- ela repete: respirar pela raiz

como fazem as violetas

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Estreia no "Escritoras Suicidas"


http://www.escritorassuicidas.com.br/



Nota II

ser como o silêncio
que habita a cidade

desatar fios e redes
despir pés e cansaços
silenciar desordens
ouvir o rio, tocar o rio

dormir nos seus olhos
dormir nos seus olhos

despertencer

...

Ciranda

sentou-se à mesa
sorveu às pressas
lambeu o prato

não disse adeus
— nem mesmo aos seus

deu meia volta
saiu da roda
cuspiu um verso

embruteceu

...

Gineceu

a mão toca
o centro

sobre o seio
um cálice de rosa
estende suas sépalas

...

edição 44 | outubro de 2013

temas: rede | cuspiu no prato que comeu | outubro rosa


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convidadas
maria isabel de castro lima | mess bovary | myrian naves | neusa doretto | rosa pena

imagens
©mercedes lorenzo


sábado, 2 de novembro de 2013

Da vida presente, dos presentes-amigos

O presente é tão grande, não nos afastemos. 
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Carlos Drummond de Andrade

Um registro dos amigos e das revistas que acolheram meus versos em 2013. Recebam o meu carinho e a minha gratidão :)


4 poemas na Diversos Afins







Poema em marca-páginas no projeto "Poesia no Bar"
...






Da Tribo





Um pequeno registro da minha passagem em 2013 
por esse projeto que tanto gosto: o Livro da Tribo :)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Parto

Imagem: Orquídea - Daniela Delias

a dor de nem sei:

um gemido da carne
sob a presa

um botão que se abrisse
à hora da sombra

a dor de ser fome e alimento
a dor de ser antes do tempo
promessa de flor

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Caligrafia

Carpas Amarelas - Nadir Ferrari

Para Nydia Bonetti


é preciso tão pouco

a água da chuva
a sutileza do rio
a quietude da pedra

ser o silêncio
antes do jorro

um sumi-ê de peixes
ou pássaros


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Encostas

Imagem: Daniela Delias

no claro-escuro da fotografia
todos os rios, encostas
e um não-saber de flor
em planície desabitada

não há certezas
tampouco desalinho

mas nada escapa à calidez
daquele céu azul-violeta



domingo, 29 de setembro de 2013

Abismos

Google - sem informação de autoria


os olhos estão fechados
mas avistamos o abismo

as dores mesmas
ainda que belas
estendem-se em fúria

e são como pétalas
e são como bombas
que caíssem
de um céu em chamas


sábado, 28 de setembro de 2013

Cais II

Google - sem informação de autoria

a mão despe o peso
cobre o colo, a nuca
caminha outro braço

ela diz que há um cais
em seus ombros

ele molha a boca
o lábio, a sede

e oferece
a única face


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A queda

Google - sem informação de autoria

o que em mim vive
- e mata
fere como pétala

e queda entre silêncios
à sombra do teu corpo

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Espelhos

Arquivo pessoal de Daniela Delias
Quando olho um rio,
rio inteiro olha

híbrido,
transcendo-me

Vasco Cavalcante




meu olho inteiro te olha
e é a mim que vejo 
turva, lânguida, cálida

à margem do rio
contra o branco das pedras
já não quebro espelhos


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Madeira

Google - sem informação de autoria

há rumores de que o tempo
devastou paredes e cercas

que a película da noite
não esconde a palidez
das roupas e dos fios

há rumores de que as vidraças
não contêm os motores
tampouco os silêncios

que a madeira cansada
contrai, range, geme
estende aflita os seus nós

há rumores de que os pés
não pesam mais que as partidas

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Mármara

Google - sem informação de autoria

Para André Ricardo Aguiar

você queria o mar e a neblina
o tempo vestido de antes
a ordem do primitivo

Amsterdã ou Istambul, você disse
uma ilha do Pacífico

eu pensava em pouso, porto, livro
no mapa perdido entre cartas e teias
naquele meu riso largo, remoto e torto
naquele seu filme russo

vê, o Mar de Mármara 
está ali em frente
mas não há neblina

é verão em Istambul

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Âncoras

Google - sem informação de autoria
The answer, my friend, is blowin' in the wind
Bob Dylan


há essa palavra aberta

é só uma ferida
um gesto inesperado
de navio contra rochedo

há o corpo e o  silêncio

sobre eles
um peso de âncoras

Nanquim

Google - sem informação de autoria

à noite, tuas cores entre os dentes
eu traçava pequenas cartografias

nem azul nem cinza
nada que se apague

para sedes e distâncias
água e carvão

domingo, 28 de julho de 2013

Braço

Google - sem informação de autoria
Para Manuela Santo


você me pergunta 
se há outro corpo d’água

não, não ali
não para aquele braço
há esses rios que secam
mas não entendo de rios e mapas

repara, repara que lindas as pedras
elas resistem como se decantadas

terça-feira, 23 de julho de 2013

Bate-papo na Corrente Literária







sábado, 13 de julho de 2013

Penélope sem Ulisses

Penelope Unraveling her Work at Night - Dora Wheeler
Retirado de http://www.metmuseum.org/

Para Giliard Ávila Barbosa

casas guardam ausências
louças rompem silêncios
telas desenham arcos

ela fia, retalha, retorce
ela pensa nas mortes
que tombam exaustas
entre os corpos que não viveu

porque fosse cais e espera
a moça tece embaraços

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A medida das chuvas

Google - sem informação de autoria

molha a boca, os dedos
as sedes que te rondam o lábio

depois, à sombra
úmida, farta
estende-se

abrasa equívocos
digere contrários

domingo, 30 de junho de 2013

Cântaro

Imagem: José Boldt - via Google
É o vinho, ele diz. Não repare. Ou a chuva. Chove desde que você chegou. Telas, janelas, panos, cômodos. Tudo molha, chove a cântaros. Já tivemos um junho assim? Eu não sei. Aqui também chove o tempo todo. Pus um vaso-guarda-gotas sobre o criado-mudo, ao lado do caderno antigo. Recolhi as roupas. Afastei móveis e ruídos. Reli a carta, revi a cena. Era você naquele gesto? Meu passo, tua boca, dez segundos. Era você naquele mundo? Talvez eu te escreva um verso. Talvez eu te queira nua. Talvez eu esqueça o plano. Talvez eu já seja tua. É o vinho, ele diz. Ela não repara. Vontade de te abraçar. Vontade de dançar no teu abraço. Vontade de te beijar. Vontade de demorar no teu beijo. Suspira-se muito por aqui. Por aqui também - ele sussurra. Suspira-se como chove.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Nota

Arquivo pessoal de Daniela Delias
dormir, acordar
acender o fogo
alimentar os dragões

nas noites de junho
subverter a pauta
decantar o verso
desejar entre os pelos
a doce violência
que escorre da tua boca

acordar, dormir
permanecer

sábado, 22 de junho de 2013

Labirintos

"Desejo" 
Google - sem informação de autoria

esqueço o guarda-chuva
recolho os pratos, as flores
gemem de frio as sandálias

tonta, invento labirintos
nego as lonjuras da noite
transito órbitas improváveis

nas curvas de um ideograma
a musa estende o braço, a boca

há um nome dentro do meu nome
uma palavra que chamo minha

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Tribo

Imagem: Daniela Delias
Boas notícias lá da Editora da Tribo :)
A Agenda da Tribo de 2014/2015 trará 3 poemas meus!!!
Tri feliz, compartilho com os amigos os três textos selecionados!


Minúcias

desde ontem arrasto móveis
molho plantas, aparo pontas
cato minúcias

só não lembro
onde deixei aqueles brincos

aqueles que pesam
como os silêncios que saem da tua boca

* * *

Sua

tão sua e ainda assim errante
porque tudo em si movia
mãos, lábios, montes

tudo era assim
prelúdio, além, afora
tudo era assim adiante

* * *

Tear

ela tece com fio lilás
as rotas do seu olhar

mas quando ele chega
ensaia outras cores
inventa moda
cobre-se de rendas

ele anseia por suas saias
e rende-se às suas teias

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Asa

Imagem: http://www.flickr.com/photos/annalisaschiavone/
"Tudo o que é necessário, germina.
Folha, canção, precipício".

André Ricardo Aguiar


ela desfia o mapa
ele espera as chuvas
o beijo espera a face
na asa de um colibri

sábado, 8 de junho de 2013

A mesa

Google - sem informação de autoria

à mesa posta
a mesma pressa

à boca-outra
as letras mesmas

à língua farta
estrangeirismos

à direita de quem entra
um ensaio sobre o riso
um tratado sobre o tempo

seis passos à esquerda
o livro, o não-dito e a pulseira

sobre a mesa de cabeceira
o inventário de uma fuga