domingo, 30 de junho de 2013

Cântaro

Imagem: José Boldt - via Google
É o vinho, ele diz. Não repare. Ou a chuva. Chove desde que você chegou. Telas, janelas, panos, cômodos. Tudo molha, chove a cântaros. Já tivemos um junho assim? Eu não sei. Aqui também chove o tempo todo. Pus um vaso-guarda-gotas sobre o criado-mudo, ao lado do caderno antigo. Recolhi as roupas. Afastei móveis e ruídos. Reli a carta, revi a cena. Era você naquele gesto? Meu passo, tua boca, dez segundos. Era você naquele mundo? Talvez eu te escreva um verso. Talvez eu te queira nua. Talvez eu esqueça o plano. Talvez eu já seja tua. É o vinho, ele diz. Ela não repara. Vontade de te abraçar. Vontade de dançar no teu abraço. Vontade de te beijar. Vontade de demorar no teu beijo. Suspira-se muito por aqui. Por aqui também - ele sussurra. Suspira-se como chove.

5 comentários:

Assis Freitas disse...

o cântaro normalmente possui asas, dizem que é para a gente segurar e verter, eu não acredito nesta coisa comum: acho que as asas servem de impulso para nos despertar o canto


cheiro e beijo

Daniel Moreira disse...

Lindo de viver! :)

Ediane Oliveira disse...

estou completamente apaixonada pela tua poesia! parabéns!! um beijo.

Mateus Medina disse...

Muito bom =)

O vinho, sempre ele o "culpado" rsrs

bjos

Germano Xavier disse...

Polifonia de dois, assim redundante. Um mais um: conta exata.

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