domingo, 24 de fevereiro de 2013

Templo

Google - sem informação de autoria

a língua - mãe de toda palavra
circunda segredos, devora os silêncios
desdobra em seu centro
a sede daqueles lábios

é do homem
ater-se à boca
à fúria do ventre
tatuar em seu templo
uma letra selvagem

silêncio: um lobo-vermelho
atravessa agora a cova dos leões

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cortinas de pedra, biombos de papel

Google - sem informação de autoria

o quarto guarda desertos
e antecipa em teu corpo
a ideia do meu

biombos separam silêncios
cortinas segredam gavetas
e um mapa da cidade

daqui não enxergamos o mar
nem aquelas pequenas ilhas
tudo resta pouco, longe, estreito

nas mãos, o mapa da cidade
em meu corpo, a ideia do teu

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Os livros e o depois

Van Gogh - Banco de Pedra no Asilo de Saint-Remy (1889)

não importa o que vem depois
o que sabemos sobre deuses
astros, contratos, amanhãs?

daqui, vejo o que ninguém vê:
dois livros abraçam um banco de pedra
um resto de azul incide sobre pernas e passos
derrama-se entre os carros e cobre teus ombros

há um céu que nos confunde
e não sabemos se é cedo ou tarde

é tão cinza essa cidade