sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A noite

Pablo Picasso, “Nu Couché”, 1933.

bebe com mil línguas
minha noite estilhaçada 

é quando creio 
em tudo o que fere

o flanco a flecha a curva 
amorosa do arco

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

1 poema no site Cronisias

Google - sem informação de autoria

Cântaro, um poema em prosa que escrevi em junho de 2013, foi publicado aqui, na bela Mandinga - Arte e Literatura - e agora no site Cronisias, pelo poeta/amigo Fred Caju, em 31/12/2013. Compartilho outra vez o texto, com desejos de um lindo 2014 para todos :)


É o vinho, ele diz. Não repare. Ou a chuva. Chove desde que você chegou. Telas, janelas, panos, cômodos. Tudo molha, chove a cântaros. Já tivemos um junho assim? Eu não sei. Aqui também chove o tempo todo. Pus um vaso-guarda-gotas sobre o criado-mudo, ao lado do caderno antigo. Recolhi as roupas. Afastei móveis e ruídos. Reli a carta, revi a cena. Era você naquele gesto? Meu passo, tua boca, dez segundos. Era você naquele mundo? Talvez eu te escreva um verso. Talvez eu te queira nua. Talvez eu esqueça o plano. Talvez eu já seja tua. É o vinho, ele diz. Ela não repara. Vontade de te abraçar. Vontade de dançar no teu abraço. Vontade de te beijar. Vontade de demorar no teu beijo. Suspira-se muito por aqui. Por aqui também - ele sussurra. Suspira-se como chove.

3 poemas no Escritoras Suicidas - Dez/2013

Imagem: Thereza Portes


edição 45 | dezembro de 2013
temas: mentira | tesão | fé


das coisas que não existem

as flores dentro do livro, eu sei

elas não existem

nem a fotografia: mulher nua, de joelhos
a cor dos olhos como uma ideia
e bastava — você a tinha inteira

ríamos do copo e da maçaneta
do peso da louça sobre a superfície
as coisas quebram, você dizia

eu ria, eu também inexistia
quando caminhava entre seus pelos
repetindo aquelas doces mentiras

...


a medida das chuvas

molha a boca, os dedos

as sedes que te rondam o lábio

depois, à sombra
úmida, farta
estende-se

abrasa equívocos
digere contrários

...


a linha

a outra no espelho

vive come limpa veste
não sangra, costura

pensa na reta que liga
o olho à linha
na linha que espera
o buraco da agulha

do alto de seu deserto
cantaria a um deus
se falasse a sua língua