segunda-feira, 27 de abril de 2015

Relógios


Google - sem informação de autoria


não são os relógios
que fazem morrer os dias
tampouco as horas cometidas
entre ritos e cartas de amor

há que entender o fogo
as cinzas de um Calbuco
sobrevoando o Atlântico

há que tomar as vendas 
dos olhos das rochas 
que batem e rompem a terra 
e engolem os homens

não são as palavras escritas
religiosamente ordenadas
amorosamente repetidas
que fazem nascer os dias

as línguas que selam as cartas
não salvam os oceanos

2 comentários:

Germano Viana Xavier disse...

Quão perverso é o mundo: fazer uma poeta de palavras amor-sutis deixar marcas de tristeza sobre a folha em branco, assim, quase-sempre. Mundo-cão o nosso, pessoas-naufrágio. A vida sob risco. O risco sob o pano das incertezas diárias.

Vasco Cavalcante disse...

" as línguas que selam as cartas/ não salvam os oceanos"
.
Lindo demais, :)

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