terça-feira, 30 de junho de 2015

1934





não há registros de nós dois
ou da passagem do dirigível

a despeito de toda invisibilidade
em 1934 também dizíamos
de outros corpos pequenos
de nossos olhos no escuro
e da proximidade dos planetas

a noite, contudo
nasceria bem depois
quando descrentes do alto
sem vestígios de céu ou infância
ainda buscássemos com os dedos
seguir as rotas dos aviões


* Sobre a imagem: Pelotas, 1934. Uma reportagem veiculada no Diário Popular de 20/09/2014 conta que a fotografia foi manipulada, que não aconteceu, de fato, o registro. Meu avô vivia contando sobre o dia em que, criança, avistou um zepelim.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Pássaros



Google - sem informação de autoria


a lona estendida sobre os cacos
centenas de pássaros contra o peito
a carne aberta até o osso

você aperta a fruta entre os dedos
e é ela que supõe seu gosto


sábado, 20 de junho de 2015

Meninos

Google - sem informação de autoria

Para Manuela Santo, Clarice Pires, 
Raquel Tramasoli e Liliane Albino


dentro dos olhos
do menino sem nome
bailam as turbinas silenciosas  
de um avião sem pilhas

debaixo da manga do outro
uma coleção de feridas

mas no sonho dentro do sonho
o pequeno tigre não teme a noite
o boneco tem longos braços
a menina ainda é menina

e se move entre estátuas