quinta-feira, 31 de março de 2016

Fogo

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não importa
se me tomo de muros
se me cubro de medos
se me doem as horas:

teus olhos erguem sobre meu sonho
duas colunas negras, luminosas

é quando danço sobre o fogo
e digo às coisas que se calem
e se ocupem de devolver à noite
algum silêncio ou escuridão

quinta-feira, 10 de março de 2016

Portas

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disse a ele
olhando o dicionário:
à pedra que se fende 
e parte
dá-se a palavra físsil

abrisse todas as portas
e dissesse: vê, amantíssimo
como chove aqui dentro
não molharia tanto


O corpo


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é bom que seja assim:
pele/nervos/pelos/olhos
tua ausência desmentida
minha carne dissecada

pudesse a noite ouvir o corpo
mais que o esquecimento
faria supor que sobre toda falta
incide um silêncio antigo
e selvagem

segunda-feira, 7 de março de 2016

Muda

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quando ando
a pele muda
vagarosa

vê: pareço outra
desde que noutros olhos
aprendi a andar em silêncio