sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Andarilha

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no que foi a manhã sem curso
cresce agora a palavra tempestade

antes a tivesse engolido
quando eu mesma torvelinho
movia meus nervos e lábios
a perguntar por ti

no que fui um feixe de músculos
vê-se agora um devir de pássaros

antes os tivesse esquecido
quando eu mesma andarilha
alheia a teus ossos e nomes 
parecia a palavra multidão


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Ofício

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quando cheguei
os homens dormiam
e as mulheres cantavam

eu dancei com elas
e jurei
dizer seus nomes
cerzir suas roupas
ouvir seus filhos
banhar seus mortos

quando cheguei
e os homens dormiam
as mulheres cantavam

eu dancei com elas
e jurei
poder me ouvir cantar


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Ave

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depois daquele janeiro 
ninguém me viu sangrar 
tampouco dizer que a morte
é quem me toma 
o poema mais sutil

talvez a visão inesperada
da coruja sobre a lixeira
a forma como gira a cabeça
como move suas garras
como engole tudo inteiro 

ou a memória de nossos olhos
devolvendo a cada noite 
a mais perfeita escuridão


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Barcos

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você me pergunta se tudo está bem
digo que chove há mais de uma semana
e que nem por isso recuamos

uma espécie de riqueza, você diria
isso d’eu por as mãos em seu peito
supondo barcos ao longe